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NEWS

30.dez.2019
Por que o México destoou de outros mercados latino-americanos em 2019? – Infomoney 27 de dezembro de 2019

Investidores têm se entusiasmado com as reformas promovidas pelo presidente López Obrador e com o processo de redução dos juros no país

Por Beatriz Cutait

SÃO PAULO – A guerra comercial entre Estados Unidos e China, que chegou à primeira fase de um acordo neste mês, e as tensões que eclodiram de forma inesperada na América Latina, especialmente no Chile, deixaram o ambiente para investimentos na região bastante turbulento nos últimos meses, com repercussões nos mercados de moedas e de Bolsa.

Um país, contudo, parece ter passado de certa forma ileso pelos eventos em países vizinhos e reinado com destaque em diversas carteiras de gestores: o México.

De olho nas mudanças em curso no país, governado pelo líder de esquerda Andrés Manuel López Obrador, que assumiu a presidência em dezembro de 2018, investidores têm se entusiasmado com as reformas promovidas e, principalmente, com as oportunidades de ganhos por meio do processo de redução de juros implementado pelo banco central (o Banxico).

Com uma flexibilização monetária iniciada em agosto, a taxa de juros mexicana já foi cortada de 8,25% para os atuais 7,25%, e analistas acreditam que há espaço para cair ainda mais.

“O México talvez seja, das histórias positivas, a mais interessante do ano na América Latina”, diz Giovani Silva, CIO da gestora BlueLine. Para ele, o México apresenta fragilidades importantes, que podem atuar como gatilhos para investimentos, assim como pontos positivos, que apontam para uma melhora da economia. O ciclo de queda dos juros lembra, em parte, a trajetória no Brasil, iniciada em 2016.

Entre os aspectos favoráveis, Silva chama atenção para a desaceleração da inflação – que passou de 4,37% ao ano, em janeiro, para 2,97%, em novembro –, que abre espaço para novas quedas dos juros e, consequentemente, para a retomada do crescimento.

Ele também destaca a melhora da situação do fluxo de caixa da estatal petroleira Pemex, o que teria afastado o risco de rebaixamento da classificação de risco de crédito no curto prazo; a maior austeridade fiscal implementada pelo governo; e a expectativa de redução da interferência no setor privado, depois do cancelamento no ano passado de um contrato para construção de um novo aeroporto no país, com orçamento da ordem de US$ 13 bilhões.

“Há uns seis meses estamos mais otimistas”, diz Silva. “As coisas negativas estão parcialmente endereçadas, com austeridade fiscal, juros muito altos, melhora das contas externas e alta popularidade do presidente, que começou como um patinho feio e está terminado o ano numa posição muito mais interessante, do ponto de vista de percepção do investidor.”

A BlueLine gosta dos mercados de câmbio e juros mexicanos, e espera que a taxa básica encerre o ciclo de queda próxima a 5,5% ou 5% ao ano.

Ainda há espaço para ganhos?

A Truxt Investimentos também tem acompanhado de perto o movimento mexicano, mas decidiu reduzir a alocação nas últimas semanas, de olho na maior cautela do banco central para conduzir os cortes de juros e também no aumento do salário mínimo, de 20%, a partir de janeiro de 2020.

Fábio Bichmacher, gestor da Truxt Investimentos, assinala que o aumento exerce hoje um risco para a política monetária, diante de seu impacto sobre a inflação.

No outro sentido, a assinatura de um novo acordo de livre-comércio com os Estados Unidos e o Canadá neste mês, em substituição ao Nafta, é apontado pelo gestor como um fator positivo para o país, assim como a melhora do ambiente para mercados emergentes, em meio à trégua da guerra comercial sino-americana.

Da mesma forma, a fraqueza da economia tende a contrabalançar a pressão exercida pelo novo patamar do salário mínimo na inflação – a Truxt espera uma queda de 0,1% do PIB mexicano em 2019.

“Acreditamos que esses fatores vão compensar o aumento do salário mínimo, mas o banco central deverá ser mais cauteloso no curto prazo. Víamos o risco de o BC acelerar o ritmo de cortes para 50 pontos-base, mas agora esperamos reduções de 25 pontos”, diz Bichmacher.

Desde o início do processo de corte de juros, o Banxico tem adotado reduções de 0,25 ponto percentual na taxa e, em dezembro, quando os juros passaram de 7,50% para 7,25% ao ano, não foi diferente.

Juros de 5% a caminho?

Embora com menor exposição ao mercado, a Truxt segue com alocação em renda fixa, especialmente na parte curta da curva de juros, isto é, nos papéis com vencimentos menores. A gestora espera que a taxa básica de juros do México caia para perto de 5% ao ano.

“Nosso cenário indica que o México não consegue crescer e tem um nível de juro nominal muito mais alto que o de países similares. O banco central tem que cortar risco, mas está numa fase bem conservadora. Mas como o país não está crescendo, dá para fazer mais”, destaca José Tovar, CEO da Truxt.

Da mesma forma que a Truxt, a Ibiuna Investimentos reduziu taticamente a alocação em juros no México em novembro, por conta da reprecificação no mercado. Apesar do movimento, a gestora destacou, em carta divulgada no início de dezembro, que segue vendo um aprofundamento no ciclo de juros diante de uma desaceleração relevante da inflação e da atividade, e um repasse cambial reduzido, em meio à ainda elevada taxa de juros real.

Gestoras como Kapitalo também carregavam, até o início deste mês, posições no México, tanto em juros quanto compradas em peso mexicano.

26.dez.2019
Com juros na mínima histórica, CDI ainda é um bom referencial de retorno? – Infomoney 24 de dezembro de 2019

Gestores veem maior necessidade de aplicador exigir retornos acima do CDI ou atrelados à inflação, principalmente de olho no longo prazoPor Beatriz Cutait, Mariana d’Ávila

SÃO PAULO – A percepção do investidor brasileiro sobre os retornos de suas aplicações vem mudando gradualmente nos últimos anos. Desde que a taxa Selic voltou a cair, em 2016, o aplicador se viu forçado a entender que a rentabilidade de seus investimentos mais conservadores não seria mais a mesma. E o grande choque aconteceu neste ano, quando os juros básicos caíram para o menor patamar histórico, de 4,5% ao ano.

Embora a inflação siga em níveis controlados, o chamado “juro real”, que corresponde à parcela do lucro que o investidor coloca no bolso depois de descontar a variação da inflação, tem ficado cada vez menor. E nada indica que essa situação vá mudar tão cedo.

Diante deste contexto, o olhar do investidor sobre o referencial de seus investimentos também está em discussão. Afinal, superar o CDI, principal benchmark das aplicações de renda fixa e também de grande parte dos fundos multimercado, é suficiente? Ou é hora de o investidor começar a buscar outras referências para analisar o desempenho dos ativos?

“O CDI baixo vai matar uma coisa que só fazia sentido quando os investidores eram muito conservadores: o percentual do CDI”, avalia Felipe Dexheimer, coordenador de alocação na XP.

E explica: uma aplicação de R$ 100 mil com retorno de 100% do CDI (4,5%) renderia, em um ano, R$ 4.500. Se a rentabilidade subisse para 101% do CDI, a diferença seria de apenas R$ 45, ou de R$ 4 por mês, assinala Dexheimer. “O investidor deveria deixar de se preocupar com 1% do CDI, mas, sim, buscar ter o CDI mais um, dois ou três pontos percentuais.”

Em sua avaliação, o próprio referencial deveria ser deixado mais de lado, especialmente quando o foco estiver no longo prazo, em que é fundamental ao investidor se preocupar com o poder de compra do dinheiro ao longo do tempo, com maior necessidade de indexação ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

“Quando o investidor pensa em se aposentar, deve se preocupar se seu portfólio está sendo capaz de gerar juro real”, diz. “A mudança para conseguir ter investidores mais maduros passa menos pela relação com o referencial e mais com as janelas de tempo.”

Com a forte queda da Selic e em meio à perspectiva de a taxa ficar baixa por um bom tempo, investidores vão ter que aprender mais sobre risco e volatilidade, destaca Flavio Byron, sócio do escritório Guelt Investimentos. “Com esse nível de juros e a inflação controlada, as pessoas que ficarem passivas no CDI não vão gerar alfa na carteira e vão perder para a inflação”, reforça.

Ilusão do CDI alto

Para Dexheimer, o CDI em um patamar alto iludiu durante muito tempo o brasileiro. Em 2015, por exemplo, o referencial das aplicações de renda fixa teve variação de 13,24%, porém com inflação de 10,67%.

Descontando-se um Imposto de Renda de 15%, o retorno cairia para 11,25%, o que corresponderia a  um juro real na casa de 0,5% ao ano, destaca. O valor não fica muito distante do juro real projetado pela XP para 2020, da ordem de 0,20%. “As pessoas não estavam ganhando dinheiro, mas eram enganadas pelo juro nominal.”

“Estar no CDI também é um risco. Costumamos identificar risco apenas como oscilação de valor no investimento. O CDI tem um risco menos explícito, que é de os juros caírem e deixarem de remunerar o dinheiro”, afirma Paulo Miguel, sócio do family office Julius Baer.

CDI x IPCA

Miguel afirma que o uso do IPCA acrescido de algum retorno seria interessante do ponto de vista atuarial, porém diz não acreditar em uma mudança: “O CDI vai continuar existindo, mas as pessoas vão ter que pensar mais amplamente.”

O professor William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas, concorda. Ainda que o CDI esteja mais baixo, ele segue como referência de taxa livre de risco, o piso de rentabilidade dos investimentos, e deve seguir como benchmark para os fundos.

“O que acho que muda com as taxas baixas é a qualidade dos produtos oferecidos. Quando a taxa era de 10%, todo mundo ficava feliz com qualquer remuneração. Agora é diferente. Quem busca rentabilidade e investe, por exemplo, num multimercado, vai ficar mais atento. E mais exigente. Isso deve mudar a qualidade dos produtos para melhor”, afirma.

Na prática, contudo, alguns gestores já têm efetivamente se movimentado. É o caso de Otávio Vieira, sócio da gestora de patrimônio Taler Investimentos, que diz estar negociando mudanças em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), para que seus referenciais passem a ser CDI mais uma taxa.

“Já tivemos três mudanças. Isso é de interesse de outros cotistas, que têm levado as discussões para assembleias. E como não achamos que vai ter uma subida importante de juros no ano que vem, é importante ser assim.”

Os clientes mais sofisticados, diz Vieira, já estão buscando aplicações de olho nesse tipo de rentabilidade e também com foco em inflação para o longo prazo, acima do que papéis como Tesouro IPCA+ estão pagando.

“A mentalidade do brasileiro está mudando. Com a Selic parada em 2020, ano que vem a gente já vai estar falando num linguajar diferente.”

Do ponto de vista educacional, José Tovar, CEO da gestora Truxt, destaca que o grande desafio é o investidor entender sua tolerância ao risco. “Ele foi submetido muito rapidamente a um cenário diferente, que não tem mais juro real ou nominal alto, e precisa se adequar a isso”, diz, ressaltando que, no exterior, o investidor está mais preparado para tolerar maior volatilidade e ter um horizonte de investimento de mais longo prazo.

31.out.2019
Juros futuros fecham em queda em reação ao Fed e à espera do Copom – Valor, 30 de outubro de 2019

No fim da sessão regular, a taxa do DI para janeiro de 2020 caiu de 4,76% para 4,739% e a do DI para janeiro de 2021 recuou de 4,37% para 4,35%
Por Victor Rezende, Valor — São Paulo

Os juros futuros encerraram a sessão regular desta quarta-feira (30) próximos dos ajustes do dia anterior, com os vértices mais curtos fechando em leve baixa, com os investidores à espera da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC brasileiro. A redução nos juros americanos pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) foi observada pelos agentes, que se mantiveram à espera de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 caiu de 4,76%, no ajuste anterior, para 4,739%; a do DI para janeiro de 2021 recuou de 4,37% para 4,35%; a do contrato para janeiro de 2023 cedeu de 5,36% para 5,35%; e a do DI para janeiro de 2025 terminou estável, a 6,05%.

“Existe um consenso amplo com redução de 0,50 ponto na Selic na reunião desta quarta e esse consenso me parece bastante adequado, ao estar em linha com toda a comunicação do BC, que não deu nenhum sinal de que o mercado esteja equivocado ao precificar um corte dessa magnitude”, disse André Duarte, economista da Truxt Investimentos. Para ele, o foco do mercado estará na
comunicação do Copom e na possível indicação de movimentos adicionais de afrouxamento.

Assim como outras casas, a Truxt projeta que o juro básico encerrará este ano em 4,50% e espera cortes adicionais em 2020, com a Selic terminando o próximo ano em 4%, nível que seria mantido ao menos até o fim de 2021, quando teria início um processo de normalização. “A economia brasileira tem muito hiato. Temos como crescer durante um tempo razoável sem gerar pressões inflacionárias e acreditamos que a política fiscal não deve ajudar muito nesse sentido.”

As projeções de inflação do Copom também devem ser olhadas com lupa pelos investidores. Nesta semana, a pesquisa Focus mostrou que a mediana das estimativas do mercado para o IPCA no próximo ano caiu de 3,66% para 3,60%, 40 pontos-base abaixo da meta de 4%, estipulada pelo BC para 2020.

“Caso o Copom projete os mesmos 3,6% de IPCA, para 2020, do último Focus, sinalizando outro ano abaixo da meta, ainda mais com seu balanço equilibrado de riscos, estará transmitindo um fim do ciclo ainda em aberto. Será a deixa de um novo degrau para os juros, que devem alcançar 4% no primeiro trimestre de 2020”, afirmou Fernando Montero, economista-chefe da Tullet Prebon, em relatório a clientes.

Federal Reserve

Antes da oficialização da redução na Selic, os agentes observaram o corte de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros americanas pelo Fed, que, agora, estão na faixa entre 1,50% e 1,75%. Como esperado, o banco central americano retirou do comunicado a menção de que irá agir conforme apropriado para sustentar a expansão da economia. Agora, a autoridade monetária dos EUA sugeriu que não voltará a cortar os juros na próxima reunião.

No CME Group, os contratos futuros dos Fed funds indicavam, às 16h, ao menos 20,9% de chance de uma redução adicional de 25 pontos-base nas taxas em dezembro. Na avaliação do economista Marcos Ross, da XP Investimentos, o comunicado da decisão do Fed deu sinal de “pausa técnica” no ciclo de cortes nas taxas de juros. Ele, contudo, enfatiza que não existe uma relação de “um para um” entre o Fed e o Copom, ao avaliar que as economias dos EUA e do Brasil vivem momentos diferentes.

Quanto à decisão do Copom, ele pontua que os mercados devem observar mais atentamente as projeções de inflação do BC e a linguagem do comunicado para definir qual será a Selic terminal do atual ciclo de afrouxamento.

24.set.2019
Japonização e o novo neutro da taxa de juros – Valor 24 de setembro de 2019

Por André Senna Duarte

Japonização e o novo neutro da taxa de juros
Fenômeno decorre de ambiente macroeconômico de baixo crescimento, pressões inflacionárias contidas e juros reais deprimidos provocado pelos desafios demográficos decorrentes do envelhecimento populacional

 

Após a crise financeira de 2008 e as sucessivas rodadas de afrouxamento monetário promovidas pelos bancos centrais, duas linhas de pensamento opostas moldaram as discussões em termos de perspectivas para a economia global.

A primeira argumentava que a atuação dos BCs iria gerar crescimento robusto, inflação e valorização de ativos. Neste caso, o deslocamento dos juros para patamares distantes do neutro criaria desequilíbrios em diversos mercados. Como não seria possível ficar fora do equilíbrio permanentemente, quando os estímulos fossem removidos, uma nova crise poderia ocorrer.

Porém, outra linha de pensamento divergia. Com base na experiência do Japão, o estímulo monetário introduzido seria mais modesto. Neste caso, teria havido uma queda estrutural dos juros neutros e os BCs não teriam sido proativos, mas sim reativos. Forças estruturais manteriam o crescimento e a inflação baixos. Neste contexto, posteriormente, os BCs teriam dificuldades em apertar a política monetária.

Até agora, é possível concluir que a chamada japonização mostra-se a hipótese mais adequada após anos de baixo crescimento e inflação aquém das metas. Ademais, hoje US$ 15 trilhões em títulos têm juros negativos. Com exceção dos EUA, todos os títulos dos países desenvolvidos estão com juros reais negativos.

Desta forma, o que é a japonização da macroeconomia? No Japão, após a euforia da década de 1980, a década subsequente foi afligida por três recessões e problemas de insolvência generalizados. Neste contexto, o foco das autoridades foi a atuação tradicional de introduzir estímulo monetário e fiscal sempre que a economia desaquecia.

Como a economia não mostrava desempenho satisfatório, a análise econômica se dividia, à época, entre os que entendiam que os estímulos não eram suficientemente fortes e aqueles que acreditavam que os problemas com os bancos e as “empresas zumbis” estariam prejudicando o crescimento.

Entretanto, digno de nota, desde 2000 o crescimento do PIB per capita foi razoável. Ajustado pelos trabalhadores em idade ativa, o crescimento per capita no Japão foi superior a outros países: 1,4% ao ano contra 1,0% nos EUA. Mesmo assim, os juros básicos seguiram perto de zero. Algo faltava no diagnóstico.

Com o tempo, maior atenção foi dada à demografia. O início da década de 1990 também representou o fim do bônus demográfico. Segundo o BC japonês, desde 1990, enquanto o produto potencial subiu 32%, a queda no fator de produção do trabalho impactou o potencial negativamente em 7,5%. Estudos mostram que o envelhecimento da população tem tido impacto negativo sobre a inflação.

Nessa direção, artigos sugerem importante efeito da demografia sobre os juros reais. Por exemplo, Sudo e Takizuka estimam que nos últimos 50 anos, a taxa de juros real neutra caiu 640 pontos base, sendo que 43% podem ser explicados pela demografia. Assim, é possível definir que a japonização é um ambiente macroeconômico de baixo crescimento, pressões inflacionárias contidas e juros reais deprimidos provocado pelos desafios demográficos decorrentes do envelhecimento populacional.

Observando-se a dinâmica populacional das principais economias, não é difícil concluir sobre os riscos da  japonização global. A demografia da Europa é similar à do Japão da década de 1990, com a população perto da estagnação. Os idosos no Japão atingiram 10% em 1985 e 20% em 2005. Na China, esses percentuais serão atingidos em 2022 e 2038. Nos EUA, a transição é mais suave, mas como a imigração em breve se tornará o maior vetor de crescimento populacional, dependerá da política imigratória.

A teoria econômica clássica defende que o valor de consumir hoje é sempre superior ao de consumir amanhã, implicando que, para substituir consumo no tempo, a taxa de juros deve ser positiva. Porém, com a elevação da expectativa de vida e a incerteza quanto ao período de inatividade, é possível que o oposto seja válido. Nesta nova dinâmica, as pessoas estariam dispostas a abrir mão de consumo hoje em troca da certeza de consumir no futuro, mesmo que menos. Por isso ativos de baixo risco teriam juros reais negativos. É este novo equilíbrio que cada vez mais se “precifica” no mercado.

Por fim, vale o alerta de que não apenas a demografia importa para a taxa de juros neutra. Outras questões como produtividade e avanços tecnológicos que afetem o preço relativo do capital fixo também influenciam. Porém, a demografia tem sido apontada como a principal explicação para a redução sistêmica da taxa de juros ao longo das últimas décadas. Como a dinâmica demográfica é algo com certa previsibilidade, a tendência de juros baixos ou negativos reais provavelmente continuará nos anos a seguir.

André Senna Duarte é economista da Truxt Investimentos, mestre em economia pela PUC-Rio e advogado

Este artigo reflete as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico. O jornal não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

05.set.2019
Truxt alerta para crescimento e vê Argentina como lição- Bloomberg 4 de setembro de 2019

José Tovar e Bruno Garcia passaram por todos os altos e baixos da América Latina ao longo dos últimos dezenove anos em que trabalharam juntos: de governos populistas à inflação elevada e planos econômicos vagos.

Agora, os fundadores da gestora de recursos Truxt Investimentos, baseada no Rio de Janeiro, estão especialmente preocupados com o ritmo lento da recuperação da maior economia da região. E eles acreditam que a turbulência recente enfrentada pela Argentina está enviando uma mensagem para o governo do presidente Jair Bolsonaro: o crescimento econômico precisa reagir para que a agenda liberal do governo obtenha sucesso.

“As primárias foram um sinal”, disse Tovar, diretor executivo da Truxt, que tem R$ 11,5 bilhões em ativos sob gestão. “Mesmo com a linha ortodoxa, liberal do Macri, o governo acabou não entregando no tempo eleitoral e isso provavelmente o levará a perder as eleições”, Tovar disse em uma entrevista no escritório da Bloomberg em São Paulo.

O plano do presidente argentino Mauricio Macri para equilibrar o orçamento do país vizinho por meio de crescimento nunca se concretizou. Macri precisou implementar dolorosos cortes de gastos e a economia provavelmente cresceu em apenas um dos quatro anos em que ele ocupou o cargo. Pesquisas apontam que é altamente improvável que ele reverta o revés de 15 pontos para o candidato de oposição Alberto Fernández na eleição em 27 de outubro.

Embora a economia brasileira, por sua vez, tenha se recuperado no segundo trimestre do ano, escapando de uma recessão, economistas têm consistentemente revisado para baixo suas expectativas, em meio a dados decepcionantes de atividade. A administração Bolsonaro tem se comprometido com o avanço de medidas incluindo reformas nos sistemas previdenciário e tributário, encolhendo o tamanho do estado e reduzindo a burocracia.

“A Previdência veio melhor do que todos esperavam e nos deu um conforto maior de que não vamos ‘quebrar'”, disse Garcia, diretor de investimentos da Truxt. “Mas, para resolver o problema, precisamos crescer. Enquanto não crescermos, a equação fiscal não se resolve, o desemprego não cai e a situação política não melhora.”

Menos risco

A dupla alerta para ventos contrários no exterior, em meio a uma persistente disputa comercial entre Estados Unidos e China e a uma desaceleração da economia global, que recentemente levaram a gestora a reduzir seu apetite por ativos mais arriscados. “Há sinais fortes de uma grande aversão a risco”, disse Garcia.

No mercado local, a Truxt recentemente zerou uma posição aplicada em juros, em meio à visão de que a queda da taxa Selic para 5% já está precificada. A gestora, que também zerou uma pequena aposta comprada em bolsa brasileira, está comprada no dólar contra o real. Fora do país, a Truxt carrega uma posição aplicada em juros no México e uma posição comprada em ouro.

“Depois de termos passado um período com bastante risco, especialmente dado em juros no Brasil, essa aposta ficou magra”, disse Tovar.

Na bolsa, a Truxt tem favorecido papeis ligados à economia doméstica, que eventualmente se beneficiarão de uma recuperação do crescimento econômico. A gestora gosta de algumas varejistas, companhias do setor de energia elétrica e de saúde, especialmente das empresas verticalizadas, segundo Garcia.

Tovar fundou a ARX Investimentos em 2001 e vendeu a empresa para o BNY Mellon sete anos depois. Em 2017, ele e Garcia deixaram a ARX para criar a Truxt, que atualmente conta com 40 funcionários.

–Com a colaboração de Patrick Gillespie e Felipe Marques.

26.ago.2019
Ibovespa perde destaque global – Valor 26 de agosto de 2019

Waldir Serafim, da Navi: há otimismo para a bolsa, mas também há cautela. A piora no ambiente internacional deixou o Ibovespa com um dos piores desempenhos na comparação com bolsas de 16 economias desenvolvidas e emergentes em agosto. Até o começo do mês, o índice de ações brasileiro havia conseguido manter a resiliência e a liderança na rentabilidade, mas as coisas mudaram: com a onda de aversão a risco lá fora, a busca por segurança derrubou o indicador.

Segundo especialistas, o fato de o desempenho do Ibovespa se destacar em 2019, até o começo do mês, fez com que estivesse mais exposto a ajustes ao risco global. De acordo com gestores, a bolsa brasileira ainda é um dos mercados de melhor fundamento e com boa atratividade, devido ao juro baixo e à expectativa de retomada do crescimento. Só que uma piora do cenário externo, se persistir, acabará por limitar seu desempenho. O Brasil não tem condições de ficar blindado contra a continuidade da busca global por proteção.

No mês, o Ibovespa cai 4,07%, baixa equivalente a 11,6% quando o índice é convertido em dólar. Só as bolsas da África do Sul (-11,9%) e da Argentina (-49,8%) têm desempenhos piores na moeda americana.

De um lado, os fundos institucionais locais e pessoas físicas já colocaram na bolsa R$ 18,7 bilhões e R$ 9 bilhões, respectivamente, no ano até o dia 21 de agosto. Os estrangeiros, na outra ponta, continuam vendendo ações mais do que comprando: a saída líquida já é de R$ 21 bilhões nesse intervalo.

“A história de Brasil, com a agenda de reformas e privatizações e com juro baixo, ainda é muito boa, mas estamos muito preocupados com o exterior”, diz um profissional de uma grande gestora independente, que prefere não ser identificado e que admite estar revisando, na casa, as posições de mercado. “A tensão entre China e EUA não tem solução fácil.”

Segundo esse gestor, o ambiente global pior nesse momento atinge o Brasil porque acerta em cheio os preços das commodities, cruciais para o desempenho de grandes papéis em bolsa, como nos setores de mineração, siderurgia, celulose e petróleo. Assim, sobram os setores ligados ao cenário doméstico, que ainda apresentam bom potencial de retorno.

“Mas, com a pressão de companhias grandes, podemos ver o desempenho [do Ibovespa] piorar, sim”, afirma o gestor. “O Brasil poderá ter performance superior aos pares emergentes, mas, no resultado absoluto, é difícil assumir que vamos segurar a alta.”

Na Navi Capital, a visão também é de certo otimismo com o Brasil, mas sem descuidar do ambiente internacional. Para Waldir Serafim, sócio da Navi, o país viu uma “mudança estrutural” em relação à situação das contas públicas, uma condição bem diferente de outros países. “Há sustentabilidade de juro baixo no Brasil, mas não é algo de curto prazo. São aspectos transformadores no longo prazo, precisa ter mais paciência.”

Serafim também pondera que, apesar da escalada de tensões entre Pequim e Washington recentemente, o cenário-base é de maior aversão ao risco, mas não de recessão. “Recessão é uma palavra forte. Tentamos fazer uma defesa do portfólio, ficar menos exposto a empresas cíclicas globais, como Vale e Petrobras, mas estamos otimistas com algumas empresas de ciclo de consumo local.”

A piora no ambiente internacional pode até não apagar os fundamentos melhores do Brasil, mas fez com que a Truxt Investimentos zerasse a sua exposição à renda variável, no Brasil e nos Estados Unidos, em um dos fundos multimercado da casa, o Truxt Macro. A decisão não vale para outros fundos, mas foi tomada como forma de redução do risco na carteira.

Rafael Vasconcellos, gestor do fundo Truxt Macro, afirma que o Brasil ainda tem condições de ter uma performance acima de outros mercados no longo prazo, dado o contexto de juros e inflação controlados e de uma reforma da Previdência “praticamente aprovada”. “Mas, nesse ambiente de piora lá fora, a volatilidade atrapalha a posição direcional. O cenário pede mais proteção, então estamos aplicados em ouro, no juro longo americano [Treasury de dez anos] e juros no México e no Brasil, porque deve haver mais afrouxamento monetário nessas economias.”

A onda de vendas no exterior é um movimento que atingiu toda a classe de investimentos em mercados emergentes, considerados mais arriscados e mais frágeis contra a instabilidade global. No caso do Brasil, temas como a Amazônia entram como fator adicional para piorar ainda mais a visão que o mundo tem do país – um tipo de evento que atrapalha a já difícil posição do país perante os estrangeiros. A opinião é de Bernard Tamler, economista internacional da GAP Asset Management. A posição em bolsa não foi revisada ainda, mas Tamler afirma que essa exposição “é pequena e continua pequena”.

“Enquanto estamos numa rota de equalização das contas públicas, outros países enfrentam uma rota de crise financeira. O ambiente lá fora é caótico, mas o Brasil tem uma posição hoje mais estratégica para enfrentar a turbulência sem ser totalmente engolido por ela”, afirma Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável do BTG Pactual digital, onde a estimativa para o Ibovespa no fim do ano ainda é de 120 mil pontos.

22.ago.2019
Agenda de privatizações leva Ibovespa para os 101 mil pontos – Valor 22 de agosto de 2019

Por Juliana Machado e Ana Carolina Neira 

A agenda positiva do governo, focado em privatizar grandes companhias públicas, deu fôlego para o mercado de ações se recuperar depois de dias de aversão ao risco. É verdade que a trégua no exterior, com o movimento positivo das bolsas americanas, ajudou a embalar o Ibovespa, mas a disparada do índice até os 101 mil pontos só foi possível com novas informações do governo sobre a continuidade do processo de diminuição do tamanho do Estado.

Com a alta forte de Petrobras e Eletrobras no pregão, o Ibovespa subiu 2%, aos 101.202 pontos, perto da máxima intradiária de 101.240 pontos. O volume financeiro totalizou R$ 14,2 bilhões, acima da média diária dos pregões do ano, em R$ 12 bilhões.

O Ibovespa veio, desde a abertura, operando com o impulso do cenário externo. Não é que o ambiente tenha mudado, afinal ainda persiste o receio de que o mundo caminhe para um enfraquecimento mais intenso do que o previsto. No entanto, após baixas sucessivas, o investidor deu uma colher de chá para os ativos e voltou a migrar para algum risco, o que ajudou na recuperação de moedas e bolsas emergentes.

Somado a isso, a agenda econômica do governo renovou o interesse do investidor pela renda variável. O mercado já acordou com a notícia de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, vai privatizar 17 estatais, entre elas a Eletrobras. Ao longo da tarde, notícia do Valor mostrou que a equipe econômica tem o interesse de privatizar a Petrobras até o fim do governo Jair Bolsonaro.

Nesse contexto, as duas companhias subiram forte. A Eletrobras atingiu o maior preço da história na bolsa, de R$ 45 tanto no caso da ON (alta de 12,39%) quanto para a PNB (ganho de 11,80%). No caso da estatal de eletricidade, documento entregue por Guedes aos líderes partidários da Câmara dos Deputados mostra o modelo pretendido pelo governo na privatização – um aumento de capital em que a União é diluída. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que o governo vai enviar o projeto de lei (PL) sobre o tema em até duas semanas.

Já em relação à Petrobras, os papéis da estatal vinham subindo perto de 2% desde o começo do dia, com o mercado mais animado em linhas gerais, mas dispararam com a notícia sobre o interesse de colocar a empresa na fila das privatizações. Na máxima do dia, a PN chegou a subir 8,2%, a R$ 25,99, enquanto a ON avançou até 7,4%, a R$ 28,46. No fim do dia, reduziram um pouco o passo, mas ainda com intensa performance: a ON teve ganho de 5,32% e a PN, 5,95%.

A agenda do governo, com a reforma da Previdência e as privatizações em foco, é o que sustenta a atratividade do Brasil perante o incerto cenário internacional, na opinião de especialistas. Isso não significa que o mercado local não vá sofrer ajustes com os solavancos no exterior, mas pode passar melhor por esse cenário.

“O Brasil não cresceu nada do seu potencial e frustrou bastante um mercado mais otimista no começo do ano, mas, diferentemente dos outros países, estamos saindo desse ambiente”, afirma Rafael Vasconcellos, gestor do fundo macro da Truxt Investimentos. “Vivemos um ambiente de estímulo monetário e qualquer aceleração do crescimento vem com inflação e juro baixos, num contexto de Previdência mais ajustada.”

15.ago.2019
Dólar fecha valendo R$ 4,038 e Bolsa despenca 3% com temor sobre desaceleração global – O Globo 15 de agosto de 2019

Dados fracos nas economias da Alemanha e da China preocupam os investidores

RIO – Os mercados globais tiveram nesta quarta-feira um dos piores pregões do ano, em reação a preocupações cada vez maiores de que nova crise global se aproxima. A divulgação de dados frustrantes sobre as economias de China e Alemanha, prejudicadas pela guerra comercial sino-americana, foi o estopim para quedas em torno de 3% nas principais Bolsas do mundo.

O pessimismo se refletiu no mercado de títulos do Tesouro americano, cujas taxas repetiram comportamento típico de períodos de recessão iminente. No Brasil, o dólar saltou a R$ 4,038, maior valor em quase três meses, enquanto o Ibovespa despencou 2,94%, com todas as ações do índice em queda.

O dia representou uma reversão de expectativas, já que os investidores haviam dormido satisfeitos com a decisão de Donald Trump de adiar para dezembro a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos chineses. Mas a divulgação de dados econômicos decepcionantes trouxe todos de volta à realidade do conflito entre EUA e China, num sinal de que a guerra comercial já afeta a economia global.

BC vai vender dólar à vista

Um deles mostrou que a Alemanha caminha para uma recessão técnica, que significa acumular dois trimestres seguidos de retração da economia. Seu PIB encolheu 0,1% no segundo trimestre e deve voltar a cair entre julho e setembro.

A terceira maior potência exportadora do mundo é afetada pela desaceleração da China, onde vende parte da produção automotiva. O país asiático, por sua vez, informou que sua produção industrial desacelerou para o menor patamar em mais de 17 anos.

A confirmação de que a economia global cresce cada vez menos e que a guerra comercial já tem efeitos concretos foi a senha para que investidores de todo o mundo vendessem ativos de risco e procurassem proteção. O petróleo do tipo Brent caiu 3,2%, a US$ 59,36.

No câmbio do Brasil, que ainda refletia os efeitos da crise na Argentina, desde 28 de maio o dólar não fechava acima de R$ 4. Na noite desta quarta-feira, o Banco Central anunciou uma nova forma de atuação no câmbio e passará a vender dólar das reservas cambiais à vista no mercado pela primeira vez desde fevereiro de 2009, no auge da crise global.

Entre 21 e 29 de agosto, o BC vai oferecer até US$ 550 milhões à vista por dia e, simultaneamente, comprar o mesmo valor em contratos de swapreverso (que correspondem à compra futura de moeda).

A Bolsa de Frankfurt caiu 2,2%. Em Londres, a perda foi de 1,42%. Em Wall Street, Nasdaq e Dow Jones perderam 3%, cada.

Chamou atenção o comportamento dos títulos do Tesouro americano. Os juros dos papéis que vão vencer daqui a dez anos caíram abaixo daqueles que vencem em dois anos. O fenômeno, conhecido como “inversão de curva”, não acontecia nos EUA desde 2007 e prenunciou todas as recessões no país dos últimos 60 anos.

Normalmente, quanto mais distante o prazo, maiores os juros cobrados pelos investidores. Quando a situação se inverte, o mercado manifesta temor sobre o futuro.

A inversão durou pouco tempo, mas foi suficiente para reforçar o pessimismo. Casos semelhantes já tinham ocorrido este ano entre títulos com prazos de três meses e de dez anos, mas a inversão de ontem mostrou que os temores de crise se aprofundaram.

‘Sem noção’, diz Trump

Em vez de culpar a guerra comercial que move contra Pequim, Donald Trump preferiu chamar o presidente do Federal Reserve (BC dos EUA),Jeremy Powell, de “sem noção” e atribuir a ele os indícios de recessão iminente. Ele voltou a pressionar o Fed a baixar juros.

“O spread (diferença de taxas) é excessivo, com os outros países dizendo OBRIGADO ao sem noção Jay Powell e ao BC. A Alemanha e muitos outros estão jogando o jogo!” , tuitou.

Para José Julio Senna, ex-diretor do BC e professor do Ibre/FGV, não se pode ignorar a importância da inversão dos juros, mas é preciso levar em conta o contexto pós-2008. Na crise global, os BCs de países desenvolvidos compraram volume sem precedentes de papéis no mercado para estimular a economia:

— Os programas de compra de títulos provocaram escassez de papéis com prazo maior. O resultado é que essas taxas muito baixas são artificiais. Não está claro que a inversão prenuncia nova recessão.

Para o sócio da Truxt Investimentos, José Tovar, a inversão sinaliza que “ninguém está vendo inflação, logo, crescimento, pela frente.” Para ele, no caso do Brasil, a crise argentina representa mal-estar adicional, mas o cenário reforça a necessidade de o país promover reformas e voltar a crescer:

— O Brasil não vive o fim de um ciclo de expansão como o resto do mundo. Se fizer o dever de casa em equilíbrio fiscal, melhora do ambiente de negócios e volta do crescimento, pode reduzir o impacto da desaceleração global.

https://oglobo.globo.com/economia/dolar-fecha-valendo-4038-bolsa-despenca-3-com-temor-sobre-desaceleracao-global-23875914

 

14.ago.2019
À procura de ouro: fundos brasileiros estão se aproveitando da disparada do preço do metal – Infomoney 13 de agosto de 2019

Gestoras como SPX, Truxt, Novus, Gauss e Kapitalo estão com alocação em ouro, em ambiente de juros baixos, maiores incertezas e de compras por grandes bancos centrais da moeda

SÃO PAULO – Uma combinação de incertezas com relação aos rumos da economia mundial – entre elas, a guerra comercial entre Estados Unidos e China e uma nova rodada de afrouxamento monetário feita pelos bancos centrais mundo afora – voltou a colocar um ativo em evidência: o ouro.
Commodity a qual investidores recorrem especialmente em momentos de maior insegurança, o ouro vem sendo mais procurado por investidores. No Brasil, gestoras como SPX, Truxt, Novus, Gauss e Kapitalo colocaram o metal nas carteiras de seus fundos – e vêm ganhando com isso.

O contrato futuro de ouro mais líquido negociado no mercado americano já acumula valorização de 26,4% nos últimos 12 meses, cotado acima dos US$ 1.500 a onça troy, com alta de 17,5% apenas neste ano (uma onça troy equivale a cerca de 31 gramas).

Por trás da disparada do ouro está um movimento comprador por parte de bancos centrais de grandes economias, como China e Rússia, e até de países menores, como Polônia, além do aumento do fluxo de recursos para ETFs (fundos de índices com cotas negociadas em Bolsa) atrelados à commodity.

Há, sim, uma busca por hedge, mas o ouro também é colocado em uma categoria de retorno atrativo, beneficiado pelas taxas de juros em níveis historicamente baixos, que têm desafiado investidores a garantirem bons retornos em suas aplicações financeiras. Há hoje por volta de US$ 15 trilhões aplicados em títulos com retornos abaixo de zero, e o mercado financeiro está sendo forçado a reavaliar seus portfólios em busca de rentabilidade.

Embora nenhuma das casas consultadas trabalhe com um cenário de recessão, todas deixam claro que estão atentas à nova configuração da economia mundial, aos sinais de alerta recentes e de olho na busca de investidores por produtos alternativos, em um ambiente de juros muito baixos.
O tom favorável para a moeda ganhou ainda mais destaque a partir de uma publicação do lendário investidor Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, que administra um dos maiores hedge funds do mundo. No artigo “Paradigm Shifts” (Mudanças de Paradigma, em português), publicado em julho, Dalio defendeu a exposição ao ouro, ressaltando que adicionar o ativo aos portfólios é uma forma de, ao mesmo tempo, reduzir o risco das carteiras e melhorar o retorno esperado.

A alocação também é defendida por gestores brasileiros.

“O ouro tende a se valorizar quando as moedas perdem valor, o que pode acontecer por pressão inflacionária, que não é o caso, ou por conta do afrouxamento da política monetária. O movimento de corte de juros contribui para a perda de atratividade do carrego da moeda, e tende a beneficiar commodities como ouro”, diz Matheus Abuchaim, gestor do portfólio internacional da Gauss.

Ele destaca otimismo com o ciclo de expansão mundial, mas reforça maior cautela com os alertas dados nos últimos tempos. “Estamos comprados em bolsa e em ouro, que protege a carteira em um sinal de migração para a recessão”, diz Abuchaim, reforçando que este não é seu cenário base.

Bull market de ouro?
Com R$ 12 bilhões sob gestão, a Truxt Investimentos tem, desde o início do ano uma alocação em ouro em seu fundo macro. A exposição à moeda está hoje em torno de 5% e pode chegar a 10%. Segundo Rafael Gaspar, gestor da estratégia macro focado em mercados internacionais, a alta da moeda neste ano foi pequena perto do que pode estar por vir.

“O racional da posição é como se tivesse aplicado em juro real. Este pode vir a ser um grande ‘bull market’”, diz, ressaltando o volume de US$ 15 trilhões aplicados hoje no mundo em taxas negativas. “A curva nominal na Suíça e na Alemanha já está com taxa negativa. Esse ambiente traz uma chance muito grande para o ouro, até porque também estamos num cenário de polarização global de risco político. Nesse ambiente de incerteza, o ouro sempre sobe”, ressalta Gaspar.

As manobras de Donald Trump contra a economia chinesa podem enfraquecer o dólar e estimular ainda mais a demanda pelo ouro. A moeda é tida como uma das poucas alternativas para juros reais hoje, com um ambiente de retornos mais baixos e de maior aversão a risco, reforça José Tovar, CEO da Truxt.

Há, contudo, uma preocupação com relação à velocidade da valorização da moeda. “O ouro subiu 16% no ano, dá um pouco de medo. A gente fica dosando o tamanho da exposição de acordo com movimentos de curto prazo”, diz Tovar.

Ouro como hedge
A percepção de um ciclo de piora nas economias globais, que levaria a um maior afrouxamento monetário pelos bancos central, foi o que deu suporte para a Novus Capital começar a montar posição em ouro, por volta do início do ano. “Com os juros cada vez mais para próximo de zero em algumas economias e, em outras, já negativos, você vai chegar a um ponto em que as pessoas não vão mais querer ter determinadas moedas”, diz Ricardo Kazan, sócio e gestor da Novus Capital. “É uma apropriação da poupança.”

Em sua avaliação, o mundo está se aproximando de um limite em termos de estímulos monetários a serem dados e há, inclusive, um questionamento sobre se os instrumentos a serem adotados pelos bancos centrais terão eficácia e qual será o impacto deles mais à frente.
Por isso, o ouro é tido como um hedge da carteira, com alocação de 10% a 15% no fundo Novus Macro, percentual que já chegou a 30% no ano. “O ouro cumpre mais o papel de hedge que o dólar, que é relativo, sempre contra alguma moeda, o que torna mais difícil ter uma opinião. O ouro não tem contra quem se desvalorizar”, ressalta Kazan.

A Kapitalo também já reduziu a exposição ao ouro em seu multimercado Kapitalo K10, de cerca de 20% para 10%. Mais cauteloso, Bruno Cordeiro, diretor e gestor de carteiras da casa, diz que duas decisões de política monetária ficaram aquém do idealizado, nos Estados Unidos e na Europa. Os preços atuais da commodity também já indicam que o call ficou mais consensual, o que pode diminuir o espaço para valorização adicional.

De toda forma, mais uma vez as compras de ouro pelos bancos centrais são apontadas como um elemento a favor da moeda, exercendo um suporte de médio prazo. Hoje a Kapitalo tem posição comprada em ouro, iene e dólar como porto seguro para a carteira, com a avaliação de um ambiente externo desfavorável.

Recessão
A Truxt não trabalha com um cenário de recessão nos Estados Unidos, mas diz estar com o “alerta ligado”. “Essa guerra comercial vai virar uma guerra de tecnologia e essa espada vai ficar no nosso pescoço por muito tempo. Estamos bem defensivos lá fora”, afirma Gaspar, citando ainda uma posição mais tática, vendida no índice americano S&P 500.

Embora analise o cenário de desaceleração global, Kazan, da Novus, destaca que a economia americana segue em um patamar relativamente positivo. A dúvida é justamente se os Estados Unidos vão se acoplar ao ciclo de desaquecimento mundial ou vão manter uma história independente. “Não estou conseguindo ver o que vai fazer a economia externa se acelerar, vejo mais motivos para uma piora”, observa.

12.jul.2019
No pós-Previdência, gestor prefere ‘Kit Brasil’ – Valor 12 de julho de 2019

Por Adriana Cotias

O placar de 379 deputados a favor da reforma da Previdência na votação de primeiro turno do texto-base na Câmara é um bom indicador para outras pautas reformistas no Congresso, como a revisão das regras tributárias e a agenda de privatizações. A primeira leitura de gestores de recursos é que foi dada a condição para novos cortes da Selic e para uma alocação no combo “kit Brasil”, com apostas em bolsa, na valorização do real e na redução das taxas de juros dos títulos públicos e dos contratos futuros.

Simbólico do viés mais positivo do setor é o cenário da Verde, de Luis Sthulberger. Na sua carta de junho, a casa traz um raro tom otimista até mesmo para a recuperação da economia, questão que é dúvida para outros gestores. “Estamos otimistas com o ritmo da atividade econômica este e no próximo ano. Vemos uma clara não linearidade à vista em relação ao crescimento, com aceleração que certamente não está refletida no preço dos ativos. A despeito da continuidade da agenda de reformas, que também achamos promissora, vemos grande espaço para a retomada cíclica, que inclusive já está em curso, liderada pela demanda doméstica. Essa convicção, apesar das altas observadas até aqui no ano, nos mantém bastante positivos com as perspectivas do mercado acionário brasileiro.”

Para a Verde Asset, o crescimento no longo prazo deve se beneficiar de outra força que é a explosão do mercado de capitais e redução do custo do crédito no país, consequência das taxas de juros estruturalmente mais baixas no Brasil.

Num ambiente “mais reformista” é de se esperar que o Copom já faça um corte de 0,50 ponto percentual na Selic na reunião deste mês, a 6% ao ano, e que haja reflexo positivo nos preços, diz o sócio da Truxt Investimentos José Alberto Tovar “Seguimos animados com ativos de risco, a chance de o BC cortar juros aumentou bastante.”

Na quarta-feira, especificamente, a gestora reduziu as posições em bolsa, após o Ibovespa alcançar os 106 mil pontos, mas Tovar afirma ainda gostar desse tipo de risco. No mercado de juros, a exposição se concentra nos vencimentos mais curtos, de 2021 e 2022. “As duas coisas [classes de ativos] andaram, mas um cenário novo se abriu, há a possibilidade de mais reformas à frente.”

No mercado internacional, a chance de o Fed, o BC americano, retomar os cortes de juros deixa a porta aberta para mais dinheiro em emergentes. “O estrangeiro ainda não veio, está um pouco desconfiado, mas o Brasil é um mercado grande, esse capital pode vir.”

Mesmo nos momentos de dúvida quanto ao futuro da pauta da Previdência, a Novus Capital manteve posições otimistas em ativos brasileiros. Agora, com a primeira rodada de votações, decidiu reduzir posições em juros e aumentar alocações em bolsa e real. Segundo o economista-chefe, Tomás Goulart, a percepção que tinha no início do ano de que a Previdência iria passar, agora tem com a reforma tributária. “O número de 379 votos foi uma excelente indicação de que a pauta do Rodrigo Maia [presidente da Câmara] tem aceitação no Congresso. Eu estava lá e senti que a reforma tributária também vai ser encampada pela Câmara.”

Essa virada de página, pode contribuir para a melhora dos preços dos ativos, diz Luís André Oliveira, sócio-gestor da Novus. “A gente tenta monitorar de perto a próxima rodada [de reformas] para medir qual o impacto no PIB, se vai ou não ter efeito na renda, no emprego e na atividade. Se postergar muito pode ter alguma decepção.”

A gestora tem como foco a bolsa, sob a expectativa de que o fluxo de capital externo alimente novas valorizações, já que até aqui o desempenho foi liderado pelo investidor local. Empresas de consumo, educação, construção e infraestrutura, incluindo Petrobras, estão entre as referências. O posicionamento no real vem da expectativa de mais capital externo. Oliveira reduziu a exposição em juros e a chance de cortes na Selic está contemplada via opções. A casa espera de três reduções de 0,50 ponto percentual na taxa.

O que falta na equação de Brasil é a volta do crescimento, elemento crucial para definir que ativos podem ter os melhores retornos, diz a economista-chefe da GAP Asset Management, Anna Reis. “Desde o quarto trimestre [de 2018], a atividade vem decepcionando. Tem potencial de melhora com a flexibilização das condições financeiras. A não aprovação sai do radar, mas ainda há uma incerteza quanto ao crescimento.”

Ricardo Marin, sócio-gestor da casa, diz que a reforma por si só tem efeito contracionista. A questão, agora, é decifrar se a agenda que se desenha vai ser suficiente para reanimar a confiança. Por ora, a preferência é o mercado de juros, com apostas em taxas nominais e em juro real, de até dois anos.

“Da forma que o BC caracterizou o balanço de riscos, condicionando a melhora da dinâmica fiscal para que pudesse fazer o ajuste, a aprovação veio como uma espécie de bandeira verde.”

A GAP espera redução de pelo menos 1 ponto percentual neste ano na Selic, a 5,5% ao ano, mas este nível parece ser o teto. Para 2020, a casa já cogita a taxa em 5%. Bolsa, por enquanto, não é um risco que a GAP esteja tomando abertamente, afirma Marin, com uma exposição apenas por meio de estruturas de opções para capturar eventual melhora da atividade.

“A gente ainda vislumbra um espaço maior no câmbio e nos juros tanto pela incerteza do crescimento quanto pela percepção de potencial de fluxo de dólar.” 

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